Passos no "Passistão" com "fé" e o crucifixo no bolso até ao final da campanha
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho recusou esta manhã criticar o PS pelo registo dos ataques à coligação - como Paulo Portas tinha feito na véspera - dizendo que "de um modo geral têm sido cumpridas as regras políticas normais em campanha", embora reconheça que devia haver uma "linguagem mais cuidada".
Durante uma visita à Santa Casa da Misericódia de Resende, Passos Coelho levou a mão ao bolso para mostrar um crucifixo que lhe tinha sido oferecido há dias numa outra instituição, ao mesmo tempo que confessava ter "muita fé nas pessoas". O primeiro-ministro admitiu depois que irá guardar o crucifixo atá ao final da campanha: "Só na sexta-feira quando chegar a casa é que arrumarei as coisas de campanha e todas as outras".
Abordado por uma rádio local, Passos foi questionado pelo encerramento de tribunais (o de Resende fechou), e foi forçado a falar de justiça, pedindo "tempo para percebermos se a reforma do mapa judiciário foi ao não uma boa escolha" e garantindo que o país tem hoje uma "justiça mais especializada". Passos fez-se acompanhar do ministro Pedro Mota Soares, pois Paulo Portas fez um desvio da agenda para uma entrevista a José Gomes Ferreira na SIC Notícias.
Na visita à instituição, o líder do PSD foi ainda forçado a uma paragem junto do jardim de infância. As crianças começaram a gritar: "Passos Coelho, Passos Coelho". O primeiro-ministro ainda se deteve com explicações pedagógicas. "Se tem cornos, é um bode e não uma cabra", disse a uma criança. "Não, é uma cabra com cornos", retorquia o pequeno apoiante. Passos, muitas vezes conhecido pela sua persistência e teimosia, cedeu: "Pronto, então é um fenómeno, e eu quero ir lá ver".
Já ao almoço, em Lamego, onde Passos e Portas ainda vão discursar, o presidente da câmara de Lamego, Francisco Lopes, fez as honras da casa, prometendo que esta noite o jantar de Viseu vai ser fulgurante: "Para que Viseu não seja o Cavaquistão mas o Passistão".

